não é da carne que ele se alimenta, é da alma
posto em frente uma grande janela
observa os dois se seduzindo em belas e elaboradas frases, enquanto se questionam se essas palavras valem alguma coisa
- ah. elas sempre valem. algumas tanto quando excremento, outras... são farpas na pele.
o diabo posto em frente uma grande janela
e o homem com seu sorriso vadio e transluzente de volúpia se aproxima da virgem
o diabo sorri. o baquete está servido
(...)
o homem, com um deus chamado dados "sete e você tira a blusa, três e eu tiro"
para ela uísque, do mais barato possível
e ele licor, é preciso algo doce para enganar essa vida amarga e ácida
e os sentidos não podem ser afetados, não os dele
a virgem com seus 14 anos viu o sangue descer pelas pernas há cerca de dois meses
já é uma mulher?.!
- hahahahaha. tola!
(...)
e agora, freneticamente:
coloca-a contra a parece. aperta até os pulmões, sem ar, forçarem um suspiro intenso. só estou amaciando a carne...
pernas encaixadas na cintura e a boca no pescoço dele. morde até um som, como um gemido, soar entre uma mordida nos lábios e uma boca meia aberta. só estou amaciando a carne...
despidos
e a virgem se lambuza fervorosa e intensamente... numa piscina de pecados
algo novo e deliciosamente indecente aos olhos dela
o homem brinca com os jovens seios, num agora enrugados, daquela que outra hora fora virgem
enquanto a respiração leve e profunda batiza o gozo... talvez arrependido, talvez abençoado
(...)
o homem, não se sabe muito dele, "você é...?"
foram as primeiras palavras que ele ouviu soarem por entre aqueles lábios ingênuos
e olhando para uma poça ele questiona "você é...?"
- você é um homem, talvez um cão. com uma corda de luxúria amarrada no pescoço
o diabo posto em frente uma grande janela
o homem posto em frente uma grande poça
(...)
o diabo sempre tem fome
Anna L. M. Docha
(pros amigos que me inspiraram, com as histórias, taras, e afins...) (é ficção)